Um dos principais obstáculos na prevenção do abuso sexual infantil continua sendo a negação. A crença de que “isso não acontece na minha família” não é ingenuidade: é um mecanismo de defesa. Mas, na prática, ela fecha a porta que a criança precisaria encontrar aberta.
Durante décadas, a educação foi marcada pela repressão emocional: não se falava sobre corpo, sobre sexualidade, nem sobre sentimentos. Como resultado, gerações cresceram sem espaço para nomear o que vivenciavam. Esse legado ainda está presente nas famílias de hoje e se manifesta no silêncio, na vergonha e na dificuldade de criar diálogos difíceis com os filhos.
Pesquisas mostram que crianças, na esmagadora maioria dos casos, não revelam o abuso imediatamente. O motivo mais recorrente: medo de não ser acreditada, medo de magoar quem ama ou medo da reação do adulto. A criança fala quando sente que o adulto ao redor é seguro o suficiente para receber o que ela tem a dizer.
Essa segurança não surge espontaneamente. Ela é construída no cotidiano, nas conversas abertas, na forma como o adulto reage a assuntos delicados, na disposição de ouvir sem julgar. Ferramentas como livros de educação emocional, conversas guiadas por faixa etária e educação sexual adequada são pontos de entrada acessíveis para essa construção.
Criar um ambiente onde a criança possa falar não é um projeto complicado. É uma escolha que começa no próximo momento em que ela tentar dizer algo difícil e o adulto decidir ouvir em vez de desviar.
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Por Jhenny Pacheco










